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quarta-feira, 11 de julho de 2012

O parque

quarta-feira, 11 de julho de 2012
Todos nós falamos em ter sonhos, sonhos e objetivos podem dar uma direção, uma meta para a vida. Infelizmente em alguns casos, o sonho vira obsessão. O caminho e a estrada se confundem. Veja bem, estrada é por onde andamos, caminho é aquele que queremos seguir para chegar a algum lugar. A estrada compõe o caminho, porém ela não é propriamente sua rota. Uma estrada pode levar a qualquer lugar, você pode estar indo para o céu, e em segundos pegar um desvio que te levará para o inferno.
Em termos simples e sem metáforas, a estrada é a vida e os caminhos são nossas escolhas. A vida é feita de caminhos, de sonhos. Andamos pela estrada, mas escolhemos o caminho que queremos traçar. Muitas vezes optamos pela rota mais simples e mais cômoda, porem em alguns casos, as pedras que são colocadas em nosso caminho, nos tornam fortes a ponto de sabermos contorna-las.
O que me leva a todos estes pensamentos, é um caminho que pego todas as noites quando volto pra casa. Embaixo de uma ponte vejo um parque. Este pequeno parque é habitado apenas por vultos, fragmentos de sonhos e vidas perdidas. Um parque escuro, com historias de vida sombria. A única luz que vem do parque é a de um refletor velho e de isqueiros usados para acender todo o tipo de substancias químicas. Um parque abandonado, habitado por pessoas que abandonaram suas vidas.
Algum dia, em algum tempo, aquele parque fora habitado por crianças. Lá elas sorriram, brincaram e sonharam. Talvez ser jogador de futebol, astronauta ou cantor. Mas então a vida chegou e bateu de frente com seus sonhos. Alguns caminhos foram trocados, a estrada não foi fácil, nunca é. A chave para a vida é a persistência. Depois de a vida ter se apresentado formalmente, alguns atravessaram a ponte, outros ficaram com medo do que encontrariam do outro lado e permaneceram ali, no parquinho.
Algo que jamais entenderemos é a ironia da vida. Pessoas acabando com suas vidas, exatamente no mesmo lugar onde sonharam ter uma. Utilizando todos os tipos de drogas, sentadas no mesmo balanço, no qual sorriram anos atrás. Um balanço que foi embalado para gerar sorrisos, hoje com correntes corroídas, é embalado para secar as lágrimas dos que ficaram. Correntes corroídas, sonhos corroídos, vidas sem movimento.
Químicos e álcool podem te fazer esquecer dos problemas durante algum tempo. Mas no dia seguinte, seus olhos se abrem e seus problemas não foram embora. O efeito mágico termina e a vida volta a bater na sua porta. Soluções passageiras nunca resolvem nada. Elas apenas maquiam a verdade que está em sua volta. A verdade, é que a vida não tem solução e nem formula secreta. Você aprende sobre a vida vivendo cada dia que passa.
A estrada é longa e os caminhos são muitos. Seus sonhos podem não virar realidade, porém, não faça do sonho uma obsessão. A vida pode levar tudo, menos a vontade de permanecer lutando. Talvez devêssemos ter duas vidas, uma para usar como ensaio e a outra para viver. Como isso não é possível, viva da melhor maneira a vida que tem, pois ela é única.




Juliano Furlanetto

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