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quinta-feira, 12 de julho de 2012

HIstória de amor

quinta-feira, 12 de julho de 2012
Histórias de amor são simples, na verdade nós as complicamos. Assim como complicamos tudo em nossas vidas. A história que contarei é sincera e pura. Uma história de amor, que nos mostra como o tempo age sobre tudo e todos. A única palavra que pode descrever o tempo é: implacável. Histórias de amor, à vista geral são comuns. Porém, cada história tem uma particularidade, uma singularidade, que apenas às pessoas que já viveram ou vivem um grande amor sabem reconhecer.
Ela sempre fora simpática. Ele sempre fora fechado. Conheciam-se superficialmente apenas. Certo dia começaram a conversar. Perceberam que apesar das diferenças, tinham muita coisa em comum. As qualidades que ele mais buscava em alguém ela tinha, e vice e versa. Eu, honestamente não acreditava. Porém hoje acredito que talvez, veja bem, eu digo TALVEZ os opostos realmente se atraiam.
As conversas permaneciam madrugadas adentro todos os dias. Ele preferia falar com ela a sair com seus amigos. Quando se encontravam, o coração batia mais forte, as palavras fugiam de seus lábios, as bochechas coravam. Todos os sintomas estavam se mostrando reais. Aquelas conversas que outrora eram superficiais, a cada dia se aprofundavam mais. Aos poucos eles descobriam estar apaixonados.
Os dias se arrastavam lentamente, e as madrugadas de conversa se esvaiam sem que eles percebessem. Ele queria falar com ela todo o tempo, queria dizer o quanto pensava nela e queria estar com ela. Ela precisava da confirmação de que ele realmente gostava dela, que não era só uma ilusão.
Os encontros passaram a ser freqüentes, a lógica e a precaução deram lugar ao coração. Toda a racionalidade e a lógica do universo, se perdem quando o que está em jogo é o coração. Tudo se torna menos importante. Nada parece ter real significado, sem que aquela pessoa esteja ao seu lado.
O tempo passou. E tudo foi como planejado, eles estavam juntos. Os problemas haviam cessado em suas vidas, tudo era amor e o mundo realmente era bom. A paixão se transformou em amor e o hoje, se tornaria o para sempre. Eles realmente se amavam e apreciavam estar juntos.
O problema foi quando o tempo entrou em cena. Cada um começou a cuidar de seus interesses pessoais. Em momento algum ele deixou de amá-la, e ela jamais deixara de pensar nele. Porém, relaxaram. Ambos os lados foram construindo uma ponte, que cada dia os distanciava mais. Uma ponte imaginária em um mundo real.
O tempo que passavam juntos não era mais o mesmo. A distancia que os separava, não era física e sim sentimental. A distancia física, é simplesmente o espaço separando dois corpos. A distancia sentimental, são dois corpos que se repelem. O tempo é implacável, ele leva tudo o que temos. Aquele que sempre fora um casal feliz, hoje era um casal separado por uma ponte. Cada um em um lado, tentando conversar aos berros. Eles se amavam, nunca deixaram de se amar. O que faltava era alguém dar o primeiro passo para atravessar a ponte.
Novamente, o obvio aconteceu. Eles se deixaram. Ao invés de um passo para aproximação, o que aconteceu foi um passo para direção oposta. O mundo realmente não era justo. O que havia acontecido? Eles tinham perdido seus rumos. Suas vidas eram agora um livro de gravuras. Apenas gravuras, esperando um conteúdo para explicá-las.
Depois de alguns dias, os dois sentiam o mesmo vazio. Um sentia o coração batendo no peito do outro. O tempo não podia tirar isso deles, era injusto. Aquilo era puro, era bonito. O amor em um formato que não é comum nos dias de hoje. O verdadeiro amor. Onde há amor, sempre haverá esperança.
Deram o primeiro passo, o passo sentimental e não físico. A ponte começou a ficar menor. Não precisavam mais gritar para que pudessem se ouvir. Agora conseguiam conversar. Sentiam o hálito um do outro. Já podiam se beijar novamente. A ponte fora deixada para trás. Só restou o amor.
A distancia que nos separa, pode ser a mesma que nos une. Agora com mais intensidade. Essa distancia, consegue nos amadurece em uma semana, o que amadureceríamos em um ano.
Em nossas vidas, na maior parte das vezes precisamos perder para ganhar. Infelizmente algumas perdas são permanentes, outras têm conserto. Somos burros a ponto de ter que perder uma pessoa, para percebermos que nossa vida não é a mesma sem ela. A vida é feita de perdas e ganhos. De guerras e de paz. E principalmente de brigas e reconciliações.
Não esqueça, jamais desista de não desistir. Onde existe amor, existe esperança.

Juliano Furlanetto

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O parque

quarta-feira, 11 de julho de 2012
Todos nós falamos em ter sonhos, sonhos e objetivos podem dar uma direção, uma meta para a vida. Infelizmente em alguns casos, o sonho vira obsessão. O caminho e a estrada se confundem. Veja bem, estrada é por onde andamos, caminho é aquele que queremos seguir para chegar a algum lugar. A estrada compõe o caminho, porém ela não é propriamente sua rota. Uma estrada pode levar a qualquer lugar, você pode estar indo para o céu, e em segundos pegar um desvio que te levará para o inferno.
Em termos simples e sem metáforas, a estrada é a vida e os caminhos são nossas escolhas. A vida é feita de caminhos, de sonhos. Andamos pela estrada, mas escolhemos o caminho que queremos traçar. Muitas vezes optamos pela rota mais simples e mais cômoda, porem em alguns casos, as pedras que são colocadas em nosso caminho, nos tornam fortes a ponto de sabermos contorna-las.
O que me leva a todos estes pensamentos, é um caminho que pego todas as noites quando volto pra casa. Embaixo de uma ponte vejo um parque. Este pequeno parque é habitado apenas por vultos, fragmentos de sonhos e vidas perdidas. Um parque escuro, com historias de vida sombria. A única luz que vem do parque é a de um refletor velho e de isqueiros usados para acender todo o tipo de substancias químicas. Um parque abandonado, habitado por pessoas que abandonaram suas vidas.
Algum dia, em algum tempo, aquele parque fora habitado por crianças. Lá elas sorriram, brincaram e sonharam. Talvez ser jogador de futebol, astronauta ou cantor. Mas então a vida chegou e bateu de frente com seus sonhos. Alguns caminhos foram trocados, a estrada não foi fácil, nunca é. A chave para a vida é a persistência. Depois de a vida ter se apresentado formalmente, alguns atravessaram a ponte, outros ficaram com medo do que encontrariam do outro lado e permaneceram ali, no parquinho.
Algo que jamais entenderemos é a ironia da vida. Pessoas acabando com suas vidas, exatamente no mesmo lugar onde sonharam ter uma. Utilizando todos os tipos de drogas, sentadas no mesmo balanço, no qual sorriram anos atrás. Um balanço que foi embalado para gerar sorrisos, hoje com correntes corroídas, é embalado para secar as lágrimas dos que ficaram. Correntes corroídas, sonhos corroídos, vidas sem movimento.
Químicos e álcool podem te fazer esquecer dos problemas durante algum tempo. Mas no dia seguinte, seus olhos se abrem e seus problemas não foram embora. O efeito mágico termina e a vida volta a bater na sua porta. Soluções passageiras nunca resolvem nada. Elas apenas maquiam a verdade que está em sua volta. A verdade, é que a vida não tem solução e nem formula secreta. Você aprende sobre a vida vivendo cada dia que passa.
A estrada é longa e os caminhos são muitos. Seus sonhos podem não virar realidade, porém, não faça do sonho uma obsessão. A vida pode levar tudo, menos a vontade de permanecer lutando. Talvez devêssemos ter duas vidas, uma para usar como ensaio e a outra para viver. Como isso não é possível, viva da melhor maneira a vida que tem, pois ela é única.




Juliano Furlanetto

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Toca discos

quinta-feira, 5 de julho de 2012
Em uma pequena cidade, existia um notável parque, um lugar calmo, árvores e natureza cercando-o. Lá havia um lago onde nadavam cisnes, ninhos onde nasciam passarinhos, estradas por onde corriam pessoas e um banco. Neste banco, todo o dia se sentava o mesmo velhinho. Um senhor com cabelos grisalhos, chapéu na cabeça e sorriso simpático nos lábios.
Ninguém sabia seu nome, mas todos paravam ali para ouvir suas historias. Ele era chamado de “Contador de histórias”. Todas as pessoas, no momento em que se sentavam ao lado dele, por alguns minutos, esqueciam dos problemas e viajavam com as fantásticas histórias do senhor. Suas histórias acalmavam corações, renovavam sentimentos, roubavam sorrisos até dos mais sérios e encantavam adultos e crianças. Muitos céticos não acreditavam no poder de cura deste senhor. Porém até as mentes mais fechadas sorriam com as historias contadas pelo velho.
Chuva, sol, verão, inverno, independentemente do clima e do tempo, ele estava lá. Como se já fosse parte do parque. Um parque, um banco, um senhor com sorriso simpático nos lábios. Esta era a descrição perfeita do lugar. Certa vez, o senhor estava contando uma de suas histórias. Mais ou menos cinco pessoas estavam reunidas ao seu redor ouvindo a narrativa. A historia acabou, as pessoas foram seguindo seus rumos e um jovem ficou. Não bastasse ter ficado, sentou e analisou o senhor. O sorriso, o olhar distante de quem tinha muito a que ensinar. Ficaram assim alguns minutos, apenas olhando um para o outro. Enfim o garoto criou coragem e perguntou:
- O senhor vem aqui todo o dia, esta sempre contando histórias e sorrindo. Ninguém sabe nem o seu nome, mas mesmo assim você continua ajudando e contando suas histórias. Porque?
- Meu nome é Aldo, e eu faço isso porque gosto. Um sorriso vale mais que dinheiro. Arrancar um sorriso do rosto de uma pessoa é como ver uma metamorfose. Você as vê chegando aqui cabisbaixas e tristes. E quando saem estão com um sorriso no rosto e a cabeça erguida. É como uma lagarta se transformando em uma borboleta.
- O senhor faz isso pelo simples prazer de ver sorrisos?
- Sou aposentado, vivi muito e conheço muitas histórias. Não acho certo guarda-las apenas pra mim. Por isso as compartilho com quem estiver disposto a ouvir.
- O senhor ajuda as pessoas e não quer nada em troca?
- Já tive tudo que poderia querer na vida. Na idade em que me encontro minhas opções não são muitas. Posso ficar em casa, sentado em um sofá assistindo televisão e ouvindo rádio, como um inútil. Ou posso vir aqui, ver a natureza, refletir e compartilhar historias com pessoas que tem muito mais para viver. Posso ensinar algo para que elas usem em suas vidas.
- O senhor usa uma aliança, sua esposa não se incomoda de ficar sempre sozinha?
- A solidão tem seus dois lados, não é apenas um castigo meu jovem. Ela te da tempo pra pensar e ver o que você fez de errado. Algumas coisas você pode consertar, outras, não. Ao contrário da solidão, o tempo é implacável. Ele leva tudo que você tem, e não devolve mais. Se minha esposa ainda estivesse viva, eu faria muitas coisas diferentes. Quem me proporcionou perceber estes erros foi á solidão. Não espere até que seja muito tarde e a solidão seja sua rotina. Quando precisar, passe um dia sozinho e isso lhe fará bem. Porém, não passe uma vida inteira sozinho.
- Muitas das histórias que o senhor conta falam dos medos, das pessoas. O senhor então tem medo da solidão?
- Na vida tenho apenas um medo, e este medo não é a solidão. Tenho medo de acabar a vida e ter sido como um toca discos.
- Um toca discos?
- Sim, um toca discos. Pois ele passa toda sua vida reproduzindo e nunca produzindo. Este é meu medo, por isso eu conto historias. É meu único legado. A única coisa pela qual as pessoas se lembrarão de mim. Então quando eu me for, as pessoas passarão aqui e lembrarão das histórias que criei, para tentar fazer com que contornassem seus problemas e vivessem a vida de modo melhor. Não se esqueça garoto, o meu maior medo é ter uma mente tranqüila. Uma mente que não produz e só reproduz, isso não faz sentido. Afinal minha mente não seria nada, apenas mais uma “mente da massa”.

Alguns dias depois, o senhor faleceu. Semanas depois de sua morte, em sua lápide estava escrita a seguinte frase: “Um eterno pensador, nunca um toca discos”.




Juliano Furlanetto