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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Cão

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Todos os dias quando volto para casa vejo quase sempre o mesmo, coisas banais, cotidianas, rotineiras, o sol se ponto, o amarelo desenhado no vermelho sumindo no gigante horizonte, as folhas caindo, flutuando levemente sobre a brisa do fim de tarde e início de noite, tanta coisa bonita pra ver, e eu me atenho todos os dias ao mesmo detalhe, um cão solitário deitado embaixo de um caminhão.
Um cão, pelo qual passo todos os dias quando volto para casa, independente do transito estar caótico ou calmo, de eu voltar no meu horário ou atrasado, fim de tarde ou noite, não importa, ele está sempre lá, embaixo do mesmo caminhão, com a companhia de dois potes, um de água e um de restos de comida.
Tanta coisa feliz e sempre me atenho e fico pensando nos detalhes tristes, imagino-me no lugar deste cão, e da estupidez de um humano achando que sua única obrigação com o animal é dar comida e bebida, e o fato de ali estar um ser vivo, de ter afeto, de demonstrar carinho e querer dar e receber atenção de um “dono” simplesmente não conta.
Mas o mais interessante é a lealdade e a compaixão que os animais têm conosco, direta ou indiretamente eles sabem que nós que os tiramos da rua, que os alimentamos e mesmo assim as pessoas insistem em pensar que “bicho é bicho”,que eles não entendem, não sentem, apenas são usados para o nosso benefício, por isso digo que os verdadeiros animais somos nós. O que me intriga é que apesar da solidão e do olhar triste, qualquer movimento e o cão se levanta expressando alegria com gestos corporais (afinal essa é a única forma que ele tem de nos fazer entender o que esta sentindo), sem ressentimento algum por passar o dia sozinho esperando embaixo de um caminhão.
Acho que entendo porque me atenho a estas pequenas coisas, são em pequenos gestos de pequenos seres que notamos que apesar de sermos insignificantes, mesmo sem saber algumas vezes fazemos diferença para alguém que nem sabemos existir, mas as nossas atitudes fazem com que esse alguém se espelhe em nós e tente ser alguém melhor.
Alguém já deve estar rindo e pensando, olha o babaca nos comparando com o cachorro, é isso mesmo? Sim, poderíamos todos nos espelhar no exemplo do cão, onde a gratidão é muito maior do que o rancor, a lealdade é maior do que a raiva e seu coração é mais puro do que o meu e o teu. Então, novamente me pergunto, quem realmente são os animais do presente?


Juliano Furlanetto

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