Ano de 1967
Estava longe de casa, realmente longe, uma distância que não pode ser medida em centímetros, metros, kilômetros e nem milhas, talvez anos luz seria a distância correta. Aquilo não era bem uma pesquisa de campo e sim uma falha no trajeto, ele não tinha nem idéia de onde estava e nem de como voltar pra casa, a única coisa que levava era uma mochila nas costas com um lápis de escrever e um papel com pequenos tópicos e anotações.
Apesar de não saber onde estava, o caderno lhe acompanhava e anotações sobre o lugar seriam feitas, algum dia poderiam importar pra alguma coisa em algum futuro distante. Sua terra não era nem de perto parecida com esta, os seres eram diferentes, os meios de transportes não eram tão avançados e nem tão rápidos quanto os da sua terra, tudo era estranho e ao mesmo tempo fascinante.
Notou que os seres eram chamados de pessoas, e o que expressavam eram chamados sentimentos, era algo bonito, que não existia na sua terra, onde a única coisa que importava era construir, aprimorar a tecnologia e conquistar novos lugares. Este era um lugar inexplorado por seus conterrâneos, um lugar diferente de tudo que já havia visto.
O máximo que duraria aqui era um dia, afinal o ar daqui não era o mesmo e jamais conseguiria alimento para suprir sua fome, já notando que o fim estava próximo para ele, resolveu aproveitar suas últimas horas para anotar o que pudesse e deixar seu caderno em algum lugar, para que algum dia suas informações trouxessem algo pra alguém.
Ano 2011
Era um adolescente comum, passando por uma crise existencial também comum naquela idade, não tinha mais nada a fazer então se sentou em um beco onde a única luz que lhe alcançava era a da lua, que mostrava algo entre os tijolos da parede, um pequeno caderno com algumas anotações. Com o caderno na mão, era um caderno velho, mas a curiosidade foi maior, ele folhou, folhou e decidiu parar na última página. O pequeno texto trazia as seguintes estrofes:
Não sei bem onde estou no momento, e nem entendo bem estes seres daqui, estava analisando tudo, afinal estas são as minhas últimas horas aqui. Algo me encantou e decidi passar o que me resta da vida aqui. São dois seres diferentes, um de cabelo curto e traços fortes e um com cabelos compridos e uma delicadeza que nunca tinha visto em minha terra. Não sei bem o que é isso, as mãos entrelaçadas um sorriso nos lábios e um brilho no olhar que nota-se de longe. De onde venho não existe isso, talvez por isso meu fascínio, é algo lindo que deve ser mantido para sempre.
Não sei o nome disso e nem o que quer dizer, mas jamais deixarei meus conterrâneos saberem que este lugar existe, afinal não entendo esse brilho que estes seres tem, mas esta terra não deve ser conquistada jamais, a beleza que existe nestes atos, não devem terminar nunca.
O adolescente releu e pensou, pobre sonhador, falando de amor, hoje em dia isso já é lenda. Porém aquele pequeno texto fez que com seus cabelos arrepiassem e ele sentisse uma pontada no coração. A semente fora plantada, agora o que lhe resta é semear os frutos.
Juliano Furlanetto
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
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