Seria uma viagem interessante. Sempre gostei de viajar, conhecer pessoas, culturas. Aproveitar toda a beleza que nos foi dada neste mundo. Estávamos voando há algum tempo , um vôo calmo. Da minha poltrona, eu conseguia ver a asa do avião. Achei estranho ver cores cinza e laranja misturada ao azul e branco do céu. Demorei um pouco para perceber que o laranja e o cinza, na verdade, eram fogo. A asa do avião estava em chamas. O avião começou a chacoalhar e jogar todos os passageiros de um lado para o outro. O pânico tomou conta do meu corpo e minha mente, o coração parecia que iria explodir em meu peito. Parecíamos marionetes invertebradas sendo puxadas pelas cordas do destino. Destino que já sabíamos, seria a morte. Afinal, qual a probabilidade de sobreviver a uma queda de avião?
Tudo o que me lembro depois disso é escuridão. Sem luz no fim do túnel, ou a alma flutuando sobre meu corpo. Apenas um breu, tão escuro quanto o véu da morte, que foi jogado em nossos olhos a partir do momento do fogo, até a propriamente dita queda.
Acordei em meio a escombros e choro. O som de um grito de dor é apavorante, nada pode descrevê-lo. Uma mãe que perde um filho, um marido que perde uma esposa. Uma vida que perde outra. Nunca estamos preparados para o desconhecido. Em nossa vida inteira, jamais estaremos preparados para a morte. Em algumas circunstancias, quando o ciclo natural se inverte, as palavras de paz não existem mais, tudo que existe é tristeza e dor. Minha cabeça estava doendo, os olhos embaçados, apaguei novamente.
Abri meus olhos e já era noite. A luz fogo nos iluminava, a mesma luz que iluminou nossos ancestrais nas cavernas, nos aquecia e proporcionava alguma visibilidade hoje. Pesadamente, consegui me levantar e começar a caminhar por entre as pessoas. Um avião com mais de 100 passageiros, agora em uma ilha, com não mais de 20 sobreviventes. O que era um milagre na verdade. A explicação foi de que o avião havia caído perto da praia e quem estava pouco ferido carregou o que conseguiu para a praia. Na verdade dois milagres em um. A queda ter sido na água e próxima a uma praia.
Todo ser vivo, por si próprio já é um milagre da natureza, basta termos a capacidade e sensibilidade para enxergar desta forma. Todos que estavam ali, por um motivo ou outro, haviam renascido. Era um novo começo, uma nova chance, uma nova vida. Voltei para o canto onde acordei, e deitei-me novamente. Sentia uma dor de cabeça horrível e preferi dormir e por as idéias em dia pela manhã.
Na manhã seguinte, começamos a ver o que tinha sobrado do avião. Quase nada, o estoque de comida era muito pequeno. Não haviam roupas e nem cobertores. Alguns coletes salva-vidas, os quais seriam inúteis. Ninguém iria sair dali nadando. Haviam 15 homens e 5 mulheres. Decidimos nos separar em dois grupos. Um grupo iria atrás de comida, e o outro montaria um abrigo, afinal o frio da noite era intenso ali.
Descobrimos estar em uma ilha, tão pequena, que talvez nem estivesse traçada no mapa. A ilha era seca, sem frutos, e nem animais. Além de areia, pedras e águam a única forma viva além de nós eram os insetos. Não tínhamos o que fazer, saímos para caçar e em uma hora já havíamos percorrido a ilha toda e não encontramos nada. Os suprimentos do avião, só durariam 1 ou 2 dias no máximo.
Voltamos para a beira da praia, onde seria mais fácil de um resgate nos encontrar. Eu estava cansado, com fome e sede, assim como todos ali. Várias conversas e idéias foram descartadas, na realidade, estávamos presos. O calor do dia era inverso ao frio da noite. O clima era estranho, pareciam dois universos paralelos unidos em um mesmo lugar.
Os dias foram se passando, a comida terminando e os primeiros começaram a morrer. De fome, ou por estarem muito feridos devido a queda. Tentávamos pescar todos os dias, sem eficácia alguma. A chuva era tão escassa quanto a comida na ilha. O desespero começava a tomar conta de todos. A única esperança era o resgate, que já deveria ter nos encontrado a esta altura.
Acordei no meio da noite com gritos. A luz da lua cheia banhava a ilha. Levantei-me com um salto para ver o motivo dos gritos. As pessoas estavam brigando entre elas. Não verbalmente, mas fisicamente. Socos, pontapés e gritos tomavam conta da atmosfera. Corri até eles a fim de separá-los, mas o desespero fora substituído por raiva e neste momento, a ira tomava conta de tudo e todos.
Algo acertou minha cabeça, eu cai no chão e logo após foram desferidos vários pontapés sobre mim. Senti minha cabeça latejar, naquele momento já sabia que seria meu fim. Quando o clima se acalmou, uma das mulheres conseguiu me carregar novamente para o abrigo. Eu quis saber o porque daquilo tudo. Ela disse que no meio da noite alguns integrantes acordaram e flagraram outros roubando a comida que havia sobrado do avião. Foi assim que a discussão começou, e 5 pessoas morreram em meio a esta selva.
Na selva o que prevalece é a lei do mais forte. Quem tiver o maior bando consegue dominar, somos assim desde as ditaduras. Uns atacando os outros, vivendo uma guerra por dia, morando em uma “selva urbana”.
Percebi que não sobreviveria nem para ver um último nascer do sol. Eu fui consumido pela lei da selva. Entristeci-me ao ver que a humanidade é mesmo assim. Todos cooperamos uns com os outros a fim de podermos viver em paz. Porém, quando as necessidades fisiológicas aparecem, a irracionalidade e o instinto de sobrevivência tomam conta. Toda hospitalidade e amizade falsa terminam.
Juntamente com meu último suspiro, sussurrei : No fim não somos nada além de animais.
Juliano Furlanetto
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
O Cavaleiro das trevas ressurge
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Em meio ao caos da “selva” decidi tirar um tempo e ir assistir “Batman – O cavaleiro das trevas ressurge”. Valeu tanto o dinheiro, quanto às 2h e 40 de filme. É demais. O conteúdo do filme é algo a ser analisado. Na verdade, Batman sempre foi meu herói preferido. Afinal de contas, o interessante nessa trilogia, é como o lado humano do super-herói é mostrado. O Batman é um super-herói que não tem super-poderes. Ele é normal, apenas rico, MUITO RICO (o que para alguns deve ser um super poder). E além de não ter super-poderes, ele é movido pelo desejo de vingança. Afinal seus pais morreram em função de seus medos de infância. E é dessa ira que ele utiliza para combater o crime. Uma pessoa triste e movida pela vingança. Um humano normal, com falhas de caráter normal. Assim como eu, você e praticamente todo o mundo.
Em um ato de filantropia, ele leva a culpa por crimes que não cometeu. Além de sofrer pela morte dos pais, sofre por tentar ajudar à todos e não receber o devido reconhecimento. Porém, sendo um ato filantrópico, ele não faz por reconhecimento, apenas por amor a sua cidade. Uma cidade, que neste último filme, mostra como o ser humano pode ser cruel quando os papéis se invertem.
Resumindo, o vilão da história tem em mãos uma bomba nuclear. Ele explode todas as pontes que são a ligação de entrada e saída de Gotham City. Ameaça explodir a bomba a qualquer intervenção do governo ou de qualquer pessoa. Ele diz que a sociedade de Gotham (assim como no Brasil e em todo o mundo), tem os poderes muito mal divididos. Os pobres são inferiorizados e os ricos usufruem muito. Uns demais outros de menos, normal, é o mundo. Então, ele sugere uma inversão de papéis. Os ricos sendo julgados pelos pobres.
O caos está tomado, a prova de que a humanidade é irracional e fraca. Todos reclamam das leis e de quem tem o poder. Quando o poder foi dado a pessoas de classe inferior, o terror veio à tona. Eles próprios poderiam julgar quem iria viver e quem iria morrer.
Novamente digo que é isto que me fascina nos filmes do Batman. Eles mostram o lado humano do super-herói, e a reação de uma sociedade diante do caos. A racionalidade evapora e o instinto animal toma conta. Inicialmente a ditadura os separa em grupos assim como no Nazismo, Fascismo e em qualquer ditadura. A maioria contra a minoria. Mas quando a morte bate a porta, é cada um por si. O ser humano reclama das leis, mas por mais banais que elas sejam, são necessárias. Um mundo sem leis, seria um mundo de caos, que é exatamente o que o filme mostra.
Um povo sem esperança, é um povo morto. E foi no meio dessa desesperança e desse desespero que ressurgiu o herói, que na vida real pode ser interpretado de várias formas. O filme é uma grande metáfora. Da queda ao ressurgimento do herói, das desmotivações e das motivações que moveram o herói. Uma pessoa só desiste, quando não tem mais motivos para viver. Enquanto houver 1% de esperança, ainda haverão chances. E é por isso talvez, que o Batman realmente seja um herói. Apesar de todos os problemas, ele não desistiu.
Uma frase me chamou atenção no filme. É quando Batman diz mais ou menos o seguinte:
- Um homem comum, que coloca um casaco nos ombros de uma criança é um herói. Pois ele mostra para esta criança que o mundo não acabou e ainda existe esperança.
A realidade é que um herói é alguém normal, com problemas e aflições como cada um de nós. Ele não voa, nem solta teias pelas mãos, ele simplesmente doa sua vida para ajudar os outros. Em uma história real, em um mundo real, todos somos heróis de nossa própria história.
Juliano Furlanetto
Em meio ao caos da “selva” decidi tirar um tempo e ir assistir “Batman – O cavaleiro das trevas ressurge”. Valeu tanto o dinheiro, quanto às 2h e 40 de filme. É demais. O conteúdo do filme é algo a ser analisado. Na verdade, Batman sempre foi meu herói preferido. Afinal de contas, o interessante nessa trilogia, é como o lado humano do super-herói é mostrado. O Batman é um super-herói que não tem super-poderes. Ele é normal, apenas rico, MUITO RICO (o que para alguns deve ser um super poder). E além de não ter super-poderes, ele é movido pelo desejo de vingança. Afinal seus pais morreram em função de seus medos de infância. E é dessa ira que ele utiliza para combater o crime. Uma pessoa triste e movida pela vingança. Um humano normal, com falhas de caráter normal. Assim como eu, você e praticamente todo o mundo.
Em um ato de filantropia, ele leva a culpa por crimes que não cometeu. Além de sofrer pela morte dos pais, sofre por tentar ajudar à todos e não receber o devido reconhecimento. Porém, sendo um ato filantrópico, ele não faz por reconhecimento, apenas por amor a sua cidade. Uma cidade, que neste último filme, mostra como o ser humano pode ser cruel quando os papéis se invertem.
Resumindo, o vilão da história tem em mãos uma bomba nuclear. Ele explode todas as pontes que são a ligação de entrada e saída de Gotham City. Ameaça explodir a bomba a qualquer intervenção do governo ou de qualquer pessoa. Ele diz que a sociedade de Gotham (assim como no Brasil e em todo o mundo), tem os poderes muito mal divididos. Os pobres são inferiorizados e os ricos usufruem muito. Uns demais outros de menos, normal, é o mundo. Então, ele sugere uma inversão de papéis. Os ricos sendo julgados pelos pobres.
O caos está tomado, a prova de que a humanidade é irracional e fraca. Todos reclamam das leis e de quem tem o poder. Quando o poder foi dado a pessoas de classe inferior, o terror veio à tona. Eles próprios poderiam julgar quem iria viver e quem iria morrer.
Novamente digo que é isto que me fascina nos filmes do Batman. Eles mostram o lado humano do super-herói, e a reação de uma sociedade diante do caos. A racionalidade evapora e o instinto animal toma conta. Inicialmente a ditadura os separa em grupos assim como no Nazismo, Fascismo e em qualquer ditadura. A maioria contra a minoria. Mas quando a morte bate a porta, é cada um por si. O ser humano reclama das leis, mas por mais banais que elas sejam, são necessárias. Um mundo sem leis, seria um mundo de caos, que é exatamente o que o filme mostra.
Um povo sem esperança, é um povo morto. E foi no meio dessa desesperança e desse desespero que ressurgiu o herói, que na vida real pode ser interpretado de várias formas. O filme é uma grande metáfora. Da queda ao ressurgimento do herói, das desmotivações e das motivações que moveram o herói. Uma pessoa só desiste, quando não tem mais motivos para viver. Enquanto houver 1% de esperança, ainda haverão chances. E é por isso talvez, que o Batman realmente seja um herói. Apesar de todos os problemas, ele não desistiu.
Uma frase me chamou atenção no filme. É quando Batman diz mais ou menos o seguinte:
- Um homem comum, que coloca um casaco nos ombros de uma criança é um herói. Pois ele mostra para esta criança que o mundo não acabou e ainda existe esperança.
A realidade é que um herói é alguém normal, com problemas e aflições como cada um de nós. Ele não voa, nem solta teias pelas mãos, ele simplesmente doa sua vida para ajudar os outros. Em uma história real, em um mundo real, todos somos heróis de nossa própria história.
Juliano Furlanetto
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