Boa noite, como não tenho muito tempo pra escrever agora, postarei o capítulo 2 do "livro", continua sem acentos e alguns erros gramáticos, devido ao teclado com o qual digitei o texto.
CAPITULO 2
Escuridão total, como uma cortina de piche que se ergue diante de nossos olhos, gritos ensurdecedores chamando desesperadamente pelo meu nome. Estou nervoso mas o nervosismo não se compara a ancia que sinto em cessar aqueles gritos que vão entrando em minha cabeça, queimando meus neurônios como se fossem madeira fresca dentro de uma lareira. Meu coração pulsa em ritmo acelerado dando impressão de querer fugir de dentro do meu peito inflamado em chamas, que se acendem a cada vez que escuto meu nome ser chamado do outro lado da parede. Estou dentro de um camarim, uma sala de proporções medias, branca como o véu de uma noiva, um espelho que parece ser usado como papel de parede, cobre totalmente a parede do lado oposto da porta. Eu estou sentado em frente ao espelho. Esperando poder acabar com os gritos da multidão aflita e mostrar meu talento a todos dispostos a ouvir. Com um estrondo a porta se abre, meu nome e chamado e o delírio do publico, naquele momento, assim como a Muralha da China poderia ser visto a olho nu da lua. Eu entro no palco com minha guitarra Fender, branca como uma nuvem em um dia ensolarado e um som perfeito, que poderia transmitir todos meus sentimentos em apenas seis cordas.Toco para um grande publico que sabe todas as notas de minha canção décor, sem nem sequer pestanejar ou gaguejar na hora de cantar.
Pessoas que cantam de olhos fechados expressando sentimentos, talvez não o mesmo que senti quando escrevi esta canção, mas com certeza sentindo alguma emoção, a de um coração partido, de um amor perdido, uma paixão passada, enfim, qualquer emoção que possa ser transmitida por minha musica, já e uma vitória para mim, pois de algum modo acredito estar ajudando alguém a pensar melhor em seus atos e em sua vida. Sempre ouço dizer que musicas não mudam o mundo, mas podem mudar a vida de algumas pessoas que poderão ajudar a outras pessoas, assim, mutuamente e por tabela a musica pode sim mudar o mundo e a sua vida. Prazer, me chamo Alan Form e isto que vocês acabaram de ler foi o sonho que tive noite passada, espero desesperadamente que este sonho algum dia se torne realidade e me tire deste lugar onde vivo a 18 anos sem conseguir nem um centavo pela minha musica. Sou louro de olhos azuis, nao muito alto, cabelo comprido ate a altura do ombro, e magricela. Para infelicidade das meninas, nao sou parecido e nem bonito como um principe encantado, e este infelizmente não é nenhum conto de fadas. Quando tinha 11 anos, herdei um violão velho e arranhado de meu avo, que faleceu, sem deixar nada para meus pais, a não ser aquele violão, que ninguém quis e que de alguma forma acabou em minha casa. Passei alguns dias observando aquele pedaço de madeira, com curvas simétricas e uma cor abatida, visivelmente machucada e descascada pelo tempo. Seis fios de nylon, alinhados perfeitamente, passavam por entre aquele que provavelmente seria o fogo de nosso próximo inverno. Depois de ficar observando-o, minha curiosidade, que em algum momento de minha vida pode ate ter sido minha maldição, não se contentou apenas com o contato visual, eu precisava de algum contato físico com aquela velha recordação deixada pelo meu avo. Não pude conter-me e peguei o velho violão levando-o para as extremidades de meu quarto. Nunca irei esquecer daquela tarde, onde o sol entrava por entre as frestas da janela de meu quarto, como se fossem listas de luz alaranjada querendo infiltrar-se entre as sombras escuras que dominavam o chão. Notei que dependendo da forma em que movia meus dedos, aquelas seis cordas poderiam soar tão bem quanto os sons que ouvia nas rádios nas tardes solitárias que passava em meu quarto. Decidi adiar aquele que seria o fim do violão e adotei-o como meu novo companheiro, percebi que com o tempo meus dedos iam ficando mais ágeis e as minhas melodias mais complexas. Notei que as tardes que ficava em meu quarto não foram em vão, acho que tinha o que chamavam de talento, de alguma forma, alem do velho violão acho que a genética me deixou aderir alguma parte dos genes de meu avo. O tempo foi passando, a técnica se aprimorando e de alguma forma comecei a amar aquele violão mais do que qualquer amigo. Na escola onde estudo, encontrei mais alguns presenteados, talvez pela genética, talvez pela boa vontade de aprender, enfim, encontrei mais dois amantes da musica, assim como eu. Charlie Forton, um garoto alto e corpulento, com aparência de brigão, cabelos louros e bem curtos, com essa aparência, acho que você deduziria o mesmo que eu, e minha dedução a respeito dele estava correta, ele não poderia ser outra coisa a não ser baterista. Outro garoto que também uniu-se a nos compartilhando do mesmo interesse, foi Nicolas Charpen. ele tinha traços delicados, e era magro como uma saracura, seus cabelos penteados para a esquerda lhe cobriam a parte de um dos olhos, ele tinha uma aparência frágil e sentimental, este era nosso baixista. Ao decorrer dos anos estes dois se tornaram meus melhores amigos e companheiros de banda, montamos uma banda, com o nome de `Stun`, que no momento não me leva a significado algum, mas soava bem aos nossos ouvidos naquela época. A garagem da casa de Charlie era nosso local de ensaio, um lugar pequeno, cheio de posters do Kiss, Nirvana e outras bandas de nossa afeição e inspiração. Com esforço conseguíamos entrar e ensaiar, eram raros os ensaios que acabavam sem alguma `violada` ou `baixada` inesperada, pois a garagem realmente era apertada para nossas pessoas e nossos instrumentos. Lembro-me de quando passamos para a oitava serie, tínhamos entre 13 e 14 anos, era uma tarde nublada, algumas nuvens se abriam dando espaço a uma rajada de sol que como um holofote iluminou diretamente aquele rosto branco cheio de sardinhas delicadas, traços fortes e ao mesmo tempo sensiveis, cabelos ruivos e lisos, corpo que poderia associar com meu violão, devido as curvas perfeitas, era ela, Perola Stone. Ela era uma aluna nova na escola e um ano mais velha que eu. Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que a vi, pois nesse dia compus minha primeira canção, que se chamou `O Sol Ilumina Voce`. Nunca fomos conhecidos e nem ganhamos dinheiro com a banda, que era composta por mim no violão e voz, Charlie na bateria e Nicolas no baixo e backing vocal. Na época podia se dizer que éramos bons, nada de fantástico, mas para garotos de 14 anos nos virávamos bem. Decidimos parar de tocar musicas covers e começamos a compor nossas próprias musicas. A maioria delas compostas por mim e algumas delas por Nicolas, Charlie era um excelente baterista, mas se limitava a isto e nada mais. Algumas vezes tocamos em apresentações de eventos na escola, lembro-me do dia em que Perola veio elogiar-nos apos um show, foi a primeira vez que falei com ela. Fiquei paralisado como se tivesse olhado uma medusa nos olhos, não conseguia me mover e nem falar, estava literalmente vendo uma medusa. Vendo-a em minha frente pude descobrir o que era o amor, a paixão e o motivo de todas as minhas composições. Apesar de minha petrificação temporária, eu e Perola nos tornamos amigos e em um dia de outono a levei passear em um parque no bairro onde moro. No chão a mistura entre as folhas de diferentes tons de amarelo caídas das arvores, pintavam delicadamente o verde da grama. Nos sentamos no chão, interferindo na pintura feita pela natureza e em uma fração de segundos, peguei o violão que sempre me acompanhava, como um "terceiro braço" e toquei a musica que havia composto no dia em que a vi pela primeira vez (O Sol Ilumina Você), foi este o dia em que nos beijamos pela primeira vez. Ela usava um batom rosa claro, que era neutro sobre a pele, mas que exalava um cheiro doce e suave, como o gosto de sua boca quando foi apresentada a minha. Hoje Perola e eu namoramos, ela não e apenas a inspiração para minhas musicas, mas quem me faz levantar todos os dias, quem me faz ter um motivo para sorrir, uma pessoa que me ajuda a continuar sonhando e lutando pelos meus ideais. Alem dela e de meus dois fortes amigos tenho apenas minha paixão pela musica. Os pais de Perola, são a moda antiga e nunca aceitaram seu namoro comigo, imagine, a filha deles, criada com todo amor e carinho namorando com alguém que não trabalha e se limita a ficar tardes trancafiado em um quarto tocando guitarra. Infelizmente para alguns como os pais de Perola e os meus, músicos são vistos como vagabundos ou alguém que não tem vontade de trabalhar. As vezes penso em como e difícil ver Perola, como e difícil para seus pais deixarem-na em paz por algumas horas, mas então me lembro das novelas e filmes, um amor proibido muitas vezes não acaba em desgraça mas sim em um final feliz, Decididamente este e o final que quero para mim e Perola.
Juliano Furlanetto
terça-feira, 6 de abril de 2010
Assinar:
Comentários (Atom)
